Como viver a gentileza na vida comunitária?

Muitas vezes nos deixamos abater pelos problemas, nos encontramos frustrados ou ansiosos, e acabamos deixando de lado algo muito importante nos relacionamentos: a gentileza.

Mas, se temos consciência da sua importância na vida familiar ou no trabalho, é também urgente que na vida comunitária a coloquemos em prática. 

A falta de gentileza pode fazer mal a nós mesmos e também àqueles que nos rodeiam.

Ser gentil é a qualidade de quem é amigo, generoso e atencioso.

Essas são ou não são qualidades necessárias para uma boa convivência em grupo? Essas são ou não são características que devem permear a vida de um cristão no encontro com o irmão?

São Francisco de Sales costumava dizer que “a boa educação já é meia santidade”.

Além disso, uma pessoa que age com gentileza demonstra que ela não pensa apenas em si mesmo ou nos seus próprios problemas. 

Ao contrário, uma pessoa gentil se preocupa com o outro e deseja promover o seu bem da maneira que lhe é possível.

Certamente você já ouviu aquela famosa frase: Gentileza gera gentileza! Pois saiba que não se trata apenas uma frase de efeito. Um estudo comprovou que a gentileza possui um efeito replicador.

A pesquisa foi publicada no periódico Current Biology e demonstra que quando alguém é beneficiado com um gesto gentil, tende a ser gentil com outra pessoa e assim, consequentemente, contagiar ainda mais pessoas.

A importância da gentileza

Certa vez o Papa Francisco dedicou uma de suas catequeses, para tratar da vivência de três atitudes que compõe a boa educação.

Na ocasião ele se referia à vivência em família, mas facilmente podemos compreender que essas atitudes são bem proveitosas também na vida comunitária.

O Papa se referia a estas três palavras: com licença, obrigado e desculpa. “Estas palavras realmente abrem o caminho para viver bem (…), para viver em paz”, refletiu o Sumo Pontífice. 

Vejamos o que o Papa tem a nos ensinar sobre a gentileza!

“Com licença”

“Quando nos preocupamos em pedir gentilmente até aquilo que talvez julguemos que podemos pretender, construímos um verdadeiro baluarte para o espírito da convivência (…).

Entrar na vida do outro, mesmo quando faz parte da nossa existência, exige a delicadeza de uma atitude não invasiva, que renova a confiança e o respeito”.

O Papa Francisco nos recorda que até mesmo Jesus pede licença para entrar: 

“Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei na sua casa e cearemos, eu com ele e ele comigo” (Ap 3,20).

Se Jesus, o Rei dos reis, usou de boa-educação, muito mais nós devemos agir assim.

“Obrigado”

Nos tempos atuais, infelizmente, parece ter surgido uma cultura na qual a gentileza e a gratidão são vistas como fraqueza ou debilidade. Mas nós, como cristãos, precisamos combater essa postura.

Sobre isso, o Papa Francisco afirmou: “Devemos tornar-nos intransigentes sobre a educação para a gratidão e o reconhecimento: a dignidade da pessoa e a justiça social passam ambas por aqui”.

Ele ainda chama nossa atenção: “Para o crente a gratidão encontra-se no próprio cerne da fé: o cristão que não sabe agradecer é alguém que se esqueceu da língua de Deus.

O próprio Jesus, certa vez, deparou-se com uma situação que tem muito a nos dizer sobre gentileza e gratidão. Ele encontrou um grupo de leprosos que implorou: 

“Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!” (Lc 17,13). Após curar todos eles, apenas um voltou para agradecer: “Prostrou-se aos pés de Jesus e lhe agradecia. E era um samaritano. Jesus lhe disse: Não ficaram curados todos os dez? Onde estão os outros nove?” (Lc 17,16-17).

O Papa ainda sintetiza dizendo que a gratidão “é a flor de uma alma nobre”.

“Desculpa”

O Papa classifica essa como uma das palavras mais difíceis de se dizer, mas de extrema importância na conivência com o outro. “Quando ela falta, pequenas fendas alargam-se — mesmo sem querer — até se tornar fossos profundos”.

Por isso, todos precisamos prestar atenção na oração que Jesus nos ensinou a rezar: o Pai-Nosso. Nela, suplicamos ao Senhor: “Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido” (Mt 6, 12).

O Papa Francisco ainda aponta para uma verdade dolorida: “Se não soubermos pedir desculpa, quer dizer que também não seremos capazes de perdoar”.

E também nos estimula: “Reconhecer que erramos e desejar restituir o que tiramos — respeito, sinceridade, amor — torna-nos dignos do perdão”.

A gentileza na vida comunitária

Para uma boa convivência na vida comunitária algumas pequenas práticas podem fazer a diferença, seja entre os membros da comunidade ou na acolhida dos fiéis.  

Resgatar o cavalheirismo, saber ouvir alguém que precise desabafar, olhar nos olhos com quem conversa com você, dizer a verdade com sutileza, corrigir com amor, elogiar um trabalho bem feito, são atitudes positivas que podem melhorar o dia de alguém.

Como afirma o Papa Francisco na sua catequese, precisamos usar de uma linguagem bem-educada, mas cheia de amor. É isso o que faz a diferença!

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